Queridos leitores amigos:

Que o Natal traga aquelas alegrias que fazem a gente se sentir criança de novo.

E que 2009 seja repleto de conquistas, muita criatividade e energia boa para superar o que tiver de ser vencido e celebrar cada gostosa vitória.

Entramos em férias e voltamos na segunda quinzena de janeiro, com novidades: o mesmo fim-do-dia, mas em novo endereço.

Pq para quem se ateve aqui... o layout está péssimo e não temos conseguido postar do jeito que nos agrada, mudanças realizadas pelo UOL...

Depois contamos que endereço será esse.

Um gde bj e até 2009!



Escrito por Cris-Cléo-Val-Mari-Gabi-Edu às 17h02
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A palavra do dia 17 de dezembro foi Vínculo

  

Por Cristina Ancona Lopez

 

Era desligada. Não se lembrava das datas, não usava relógio, não seguia as horas, vivia o dia conforme o instinto lhe levava, conforme as sensações lhe dirigiam. Porém, conseguia, com seu trabalho artístico, imprimir uma certa ordem em tudo, agir coerentemente dentre o aparente desleixo.

Não se importava com os dias da semana nem com os meses, mas estranhamente, tinha uma forte ligação com os sábados. Talvez porque tivesse nascido em um...

Os sábados lhe traziam boas recordações, chamavam-na para a vida, tomavam conta de sua cabeça impermanente. Os sábados tinham sentido, pensava, desde aquele em que partira dirigindo sozinha, musica alta, coração disparado, para encontrá-lo no meio da estrada. E quantos sábados passados com ele! Mesmo os que tinham sido domingos eram lembrados como sábados. Estranho como nada que demarcasse tempo, hora e lugar tinha importância. Mas com os sábados, mantinha um vínculo forte, que jamais seria quebrado.

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Por Sócrates Santana

 

Ainda preparo o café do mesmo jeito. É como um filme. Primeiro, o pó. A água quente. Em seguida a xícara. O açúcar e depois o leite em pó. Misturo açúcar e leite em pó. Encosto a colher no canto da xícara e faço na beira dela uma espécie de parede de açúcar e leite em pó. Entre a parede coloco o café quente, misturo. Coloco a colher molhada mais uma vez dentro da lata de leite ninho e deixo o leite grudar na colher para ela comer e beber depois. Nosso vínculo não perde o vinco. Não perde o leite, nem o açúcar, nem o café. Fica tudo metodicamente misturado. 

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Por Gabriela Ramos Rosa

Te sinto saído de meu umbigo, tamanho vínculo.

Quase acho que te dei à luz, que te criei aqui em meu ventre.

Porque a tua pele é minha; e o que penso, você sabe.

Eu não preciso dizer, você vê.

E esta dor que sinto quando você vai até ali parece arrancar de pedaço.

Sei que você não é meu, sou só, dona nem de mim mesma.

Mas tê-lo aqui, ao lado, me faz inteira.

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Por Mari de Almeida

Na minha face, teu sorriso.

Nos teus olhos, minhas lágrimas.

Em nossos corpos, as almas se trocam.

Nosso vínculo não perde o vinco,

nem tem data de validade.

Não solta as tiras, não parcela-se em vezes

nem paga-se com pré-datado.

Nosso vínculo é único, à vista e online.

E finca na vida um eterno começo.



Escrito por Cris-Cléo-Val-Mari-Gabi-Edu às 18h05
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A palavra do dia 16 de dezembro foi Malabares

 

Por Gabriela Ramos Rosa

Já me deixei ser malabares nas mãos de alguns.

Do céu ao chão em segundos.

Deslizei por peles escorregadias, em nada cuidadosas.

Quebrei a cara, muitas vezes, áspero asfalto.

O frio na barriga de quando se está no alto, voando, não compensa.

Encontrei uma rede de proteção. Uma mão que me tem segura.

E assim, hoje sim, me sinto verdadeiramente no céu.

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Cristina Ancona Lopez

Saia com várias mulheres. Algumas, dizia ele, não sabiam conversar, mas por serem bonitas, pele viçosa, corpo gostoso, saia com elas e se deliciava passando a mão nas peles macias, nos seios firmes, abraçando os corpos quentes, penetrando as carnes.

Era assim ele.

Outras, comentava, faziam-lhe bem para a mente e o espírito, acompanhavam seu pensamento, ajudavam a desenvolver suas idéias, faziam-no rir. Uma ou outra desse tipo, descobria ele, também tinha a pele macia, seios firmes, corpo quente e lhe despertava o desejo de penetrar as carnes. Mesmo assim, não deixava de sair com as primeiras.

Era assim ele.

Às vezes se atrapalhava, ligava para uma pensando ser outra e quando ia ao encontro percebia o erro. Com o tempo, confundia todas e então escolhia ao léu. Não se importava quem fosse, desde que tivesse alguma ao seu lado. Havia alguns dias em que, querendo apenas conversar confundia-se e chamava uma daquelas que não conversavam, ou vice versa. O jeito era conformar-se com a que fosse, com a que viesse.

Era assim ele.

Passou a ter tantas que teve de aperfeiçoar suas táticas para fazer com que cada uma acreditasse ser a única. Caso contrário, começariam a lhe negar as carnes.

Foi então que descobriu-se artista. Metódico, perfeccionista, malabarista, divertindo-se com seu próprio poder de sedução, de estratégia e de equilíbrio.

Era assim ele.

Até que os anos se somaram, o cansaço se instalou e cansou-se daquele tipo de vida. Não tinha mais vontade de sair, não sabia mais penetrar as carnes e já não enxergava direito. Procurou então as que sabiam conversar mas já haviam todas encontrado seus pares. Lembrou-se da prima que dizia: cuidado, não vai sobrar nenhuma! Mas não deu o braço a torcer e conformou-se. Passou a viver de recordações. Com um sorriso nos lábios deixava o olhar perdido e só pensava no tempo em que fazia, das mulheres, seus malabares.

Era assim ele.

 

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Mari de Almeida

Estava olhando os meninos no semáforo, enquanto era vermelho.

Pequenos, mirrados, cheios de um nada que a vida lhes dá.

Jogam bolas para o alto, equilibram objetos,

fingem-se mágicos a esconder tiras de papel sujo entre os dedos.

Como estarão suas vidas quando eu voltar a parar ali, na semana que vem,

no ano que virá, na próxima década?

Do que, afinal, tanto riem se é na sarjeta que plantam seus sonhos?

Desculpem-me se sou sentimental, mas não consigo burlar a sensação de impotência,

a desesperança e o desejo ingênuo de que tudo mude, que o Natal traga o novo, como milagre.

Que a miséria seja vencida e que os malabares transformem-se em meros brinquedos, a ornar uma feliz infância.

Desculpem-me se não consigo ficar... e avanço o sinal.



Escrito por Cris-Cléo-Val-Mari-Gabi-Edu às 19h14
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A palavra do dia 15 de dezembro foi Prímula

  

Sylvia Loeb

 

Estrela da tarde ou chave das portas do paraíso, assim é chamada. O óleo de suas sementes acalma o sangue das mulheres, a inquietação que toma suas almas e as dores de seus corpos, deixando-as mais doces, calmas, mais  receptivas ao macho. De seu bulbo nasce a prímula, as primeiras a florescerem com a chegada dos raios de sol. Elas são mágicas e  as preferidas das fadas e das abelhas. Enchem nossos corações de otimismo e alegria, só pelo fato de contemplá-las.

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Cristina Ancona Lopez

Chamam-se Prímulas algumas flores que nascem com a Primavera... e surgem viçosas e cheias de cor nessa estação do ano. Ontem mesmo vi uma prímula linda e florida. Linda. Parei para olhar. A beleza me penetrou, encantou meus olhos e me trouxe paz....

Mas não entendo como florescem as prímulas nesta primavera em que faz frio.

Houve tempo em que as estações começavam na época certa e cada uma tinha o seu tempo e a sua vez. Agora misturam-se, trocam de posição, cedem seus lugares umas às outras, não se entendem mais. No verão sentimos frio, no inverno compramos ventiladores de teto, na primavera não achamos grama verde para sentar.

Pensando bem, acontece o mesmo comigo: misturo-me, troco de posição, cedo lugar a novos pensamentos, não me entendo mais. No verão fujo do sol, no inverno procuro os raios que entram pela janela para me esquentar, na primavera esqueço-me das flores.

É assim.

Deve ser influência do por do sol e do nascer da lua...

Talvez quando o mundo estiver primavera, eu consiga me tornar colorida, plácida e bonita, espalhando cores e levando paz a quem estiver perto de mim.

Como a Prímula. Quem sabe?

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Por Sócrates Santana

Preciso falar com ela. Trata-se de uma criança. É fruto do nosso amor. É minha prima, mas quem nunca teve nada com parentes? Não vou deixar que ela tome a prímula. Ela guarda na barriga uma flor prestes a desabrochar. Um rosa, mas, que não é de hiroshima.

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Mari de Almeida

Naquele buquê não tinham rosas, nem margaridas.

Nem os lírios que olhamos no campo.

Naquele buquê cabiam apenas prímulas,

que pouca beleza têm, mas que exalam você.

E dão às feridas duras, de raiz forte e calcada,

a cura suave e lenta, para que se fechem as dores

por trás destes nossos olhos cansados.

É assim que começa a Primavera que hoje semeamos.

Neste buquê, plantado em seu sorriso-começar-de-novo,

regado por minhas lágrimas-até-que-a-vida-nos-separe

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Escrito por Cris-Cléo-Val-Mari-Gabi-Edu às 09h57
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