A palavra do dia 12 de dezembro foi Gandaia
Mari de Almeida
Bebeu todas, beijou bocas, deu amassos,
perdeu-se em braços fartos e pernas longas,
andou torta pela sarjeta reta,
escorou postes e pediu carona,
desfiou a meia, borrou o rímel e perdeu a bolsa,
passou batom fora da boca, falou alto
e cuspiu o caroço da azeitona.
Pediu o quinto gole num bar de quinta,
sorriu para o guarda, fez agrado no gato vira-lata.
Vomitou no pé de um passante,
deixou vencer o desodorante,
falou, falou até fazer rima.
Chorou com força sem qualquer motivo,
limpou com a unha o centro do umbigo,
comeu bala melada com papel e tudo.
Caiu na cama de um qualquer vagabundo,
transou com o otário de meia em motel barato,
saiu a pé para pegar o ônibus errado,
parou na esquina para acertar o sutiã do avesso.
Acordou linda, de memória fraca e pele reluzente.
Vestiu a blusa de seda e a saia de tecido fino,
passou perfume comprado com euros,
entrou no carro, total flex, 2.0 blindado.
E saiu ligeira a fazer de sua história um mero dia a dia,
até o próximo sábado...
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Cristina Ancona Lopez
Eu caía sim na gandaia! Dançava feito louca, bebia sem pensar, varava a noite, me perdia e vinha a me encontrar assistindo ao amanhecer conversando filosofias, abraçando amigos que seriam inesquecíveis para sempre, não me lembro quem...
Eu então, nem era, ou nem mesmo me lembro de mim.
Hoje prefiro a alegria à gandaia. Prefiro os poucos amigos próximos aos inúmeros passageiros. Prefiro a bebida moderada, só pra relaxar um pouco, prá brindar, pra compartilhar e cuido de mim como quem cuida de algo raro e delicado, me gosto e me presenteio como a quem merece mimos e, como não encontrei ainda quem cuide de mim como me sinto merecedora, cuido-me eu.
Porém ainda gosto (e como gosto!) de dançar, de rodopiar e de me entregar a paixões que realmente valham a pena e sejam correspondidas. Hoje, da gandaia resta-me a paixão que esta sim, merece ser bem vivida. Que se acabe, mas que me leve para a gandaia do amor, da entrega, do calor de tudo, do envolvimento completo. Que se transforme no amor para sempre apaixonado, aquele que não me canso de procurar, ou que morra em seguida, mas que tenha sido vivida intensamente nem que eu a sofra profundamente e que meu corpo e minha mente sejam tomados por uma ressaca total.
Que venha a gandaia. Depois dela, de um jeito ou de outro, eu cuido de mim.
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Sócrates Santana
Estava na Rua Chile, chinelo de dedo, cadência no andar
Passava uma linda menina, parecia desfile, tinha encanto no olhar
Rodava aquele vestido, não era vestido, fazia sentido, era fácil amar
Um homem casado, falido, eu era quase um mendigo, bola não ia me dá
Na Praça Tereza Batista, Olodum não estava, era a Banda Didá
A menina de pele macia era a minha vizinha, morava acima, bastava um andar
Na janela verde e amarela, sorriso tão branco, lembrava aquarela, era como sonhar
Azul, vermelho e branco era como o Bahia que entrava no ar
A Fonte estava lotada e aquela menina na frente a dançar
A torcida inteira gritava, inteira sambava, batendo palmas e o mundo inteiro a cantar
Vá, vá vá morena, vá, vá, vá morena
Caia na gandaiá, que o negô não pára de olhar
Vá, vá, vá morena, vá, vá, vá morena
caia na gandaia, que o samba não vai acabar
Vá, vá, vá morena
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Sylvia Loeb
Estava louca para cair na gandaia, mas sem coragem. Então você me convidou, fiquei toda assanhada pensando nos detalhes. Meia arrastão daquelas bem abertas, sabe como é? Se der calor, areja. Sandálias altas, vermelhas para mim, e para você? Gandaia no capricho, na elegância, na classe. A gente poderia começar de manhã, de manhã mesmo quando estamos descansadas e cheias de energia. Ninguém vai acreditar! Duas moças caindo na gandaia logo cedo, na segunda feira. Uma caipirinha ou um rabo de galo para começar. Já tomou rabo de galo? Ajuda a soltar. Depois vamos dar uma volta, ao léu, vamos dar bola para os homens, vamos mexer com eles. Junto com você fico corajosa. O dia vai passar, a gente bebendo e rindo, muita risada lava por dentro, é melhor que chorar. Um sanduíche de mortadela num boteco qualquer; precisamos comer para não cair na rua; depois pipoca e pirulito de sobremesa. Adoro pirulito, nunca tenho coragem de chupar, mas no dia da gandaia, é no pirulito que eu vou! Depois sorvete, pilhas de sorvete de chocolate, de creme, de morango, vamos comer até ficar enjoadas! Que gandaia boa! Depois a gente toma coca-cola, pois acho que vamos ficar precisar. Litros de coca- cola, só em dia de gandaia! No final da tarde uma pizza, que tal? Será que tem pizzaria aberta na segunda feira? Acho que sim, nunca comi pizza na segunda feira. Vou comer uma inteira, sozinha. Desculpe, mas vou ter que comer sozinha. Se você quiser dividir, pedimos outra. Tudo regado a coca-cola é claro, ajuda. E assim acaba nossa noite, uma gandaia e tanto!
Obrigada pela força!
Escrito por Cris-Cléo-Val-Mari-Gabi-Edu às 19h17
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A palavra do dia 11 de dezembro foi Vaga-lume
Gabriela Ramos Rosa
As crianças prenderam o vaga-lume no vidro de maionese. Lanterna imaginária, brincadeira inocente.
E ele foi se apagando aos poucos, até morrer sem ar e sem brilho.
Os homens colocaram o sonho no vidro de maionese. Um projeto, grandes idéias, amor impossível. Metafóricos vaga-lumes.
Lembrete perverso do que a vida adulta talvez nunca traga.
Também se apagam aos poucos, sufocados.
E luz nenhuma da conta de vidas frustradas.
Nem de vaga-lume.
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Por Sócrates Santana
Vaga pela escuridão
Ilumina a noite sombria
Mochila nas costas
Andarilho lunático
Respira o luar
Tem inveja das estrelas
O sol é uma maldição
para o ego da madrugada
Adormece a alvorada
Vagabundo
Não é estrela
Não é lua
Não é sol
Vaga pela noite sombria
Ilumina a escuridão
Lanterna no matagal
Farol da onça pintada
Tem ciúme da lua
O sol é uma perdição
para o inseto das trevas
Um sonífero do amanhecer
Vagabundo
Não é estrela
Não é lua
Não é sol
Aparece no entardecer
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Sylvia Loeb
Feia que sempre foi, mirradinha e descorada, cor de terra crestada pelo sol. Os seios murcharam ainda em botão, as carnes jamais se fizeram apetitosas, restava-lhe andar pela vida sem cor nem alegria se Deus não tivesse se apiedado dela.
Deu-lhe dom especial, especialíssimo. De noite, luzia. Emitia luz verde ou azul, conforme o calor da noite, os calores do corpo. Os machos atarefados na caça noturna desviavam-se de seu caminho e vinham atrás de Luciferina e seus lampejos, assim batizada bem tarde na vida. Corria risco a Luciferina. Os machos alados a desejavam, assim como os predadores mais cruéis. Esse o destino de Luciferina, apagada de dia, quimera de noite.
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Por Cristina Ancona Lopez
Apagou a luz mas não acalmava, alguma coisa incomodava.
Parecia uma luzinha, um pontinho brilhante, um alerta constante.
Como um vaga-lume, luz a piscar, a dizer sem parar:
presta atenção agora
é hora de olhar de fora,
hora de analisar, ponderar,
nada de deixar-se ir sem pensar.
Hora da análise,
colocar sentimentos em diálise,
retirar-se para reciclagem, decidir com coragem.
Hora de ser detalhista, realista,
objetivo, sintético, positivo,
hora de ser didático,
exigir-se prático, pragmático!
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Por Mari de Almeida
Nunca entendi como os vaga-lumes 'funcionam'.
Mas também, se li algo a respeito, apagou-se aqui, na minha falta de memória.
No entanto, fico admirada quando na estrada escura os pontinhos voadores reluzem, mostrando caminhos.
Queria ter idéias-vaga-lume, que acendessem nos meus becos sem saídas, portinhas claras.
Coisas assim, que relampejassem suaves, nada muito grandioso ou mágico.
Apenas golinhos de luz refrescantes, dando trégua às minhas pequenas dúvidas
que, todas juntas, formam uma nuvem negra de infinitos 'serás' e por quês.
Escrito por Cris-Cléo-Val-Mari-Gabi-Edu às 18h14
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A palavra do dia 10 de novembro foi Pragmático
Gabriela Ramos Rosa
Sei que sim, este meu pragmatismo todo apaga estrelas.
Eu tento, claro que sim. Até quero ver, me forço a enxergar.
Mas tem qualquer coisa aqui em mim, dura, que nega.
Estas coisas todas que, lindas e livres, dispensariam explicação e prova.
Eu procuro razões. Esmiúço, esfolo o sutil e misterioso. Eu duvido.
Não sei não, o porquê.
Sou uma pessoa estranha, eu acho.
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Por Mari de Almeida
Era tão pragmática, tão pragmática
que escolheu os dias para nascer, ficar louca e morrer.
Depois que nada disso deu certo, tudo aconteceu ao contrário
desistiu de acreditar na ordem das coisas e nas listas de espera.
Parou de fazer check in, check out ou cheque pré-datado.
Soltou os cabelos, armou a barraca e fincou pés em lugar nenhum.
E a partir daí, que surpresa!, começou a ser feliz.
Completamente louca, mas feliz.
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Por Sylvia Loeb
Não é pragmático fazer poesia, nem colher flores, nem bordar guirlandas ou fantasiar.
Não é pragmático viajar ou fazer listas de presentes.
Pragmático é trocar a lâmpada quando está queimada, é comer de pé para matar a fome. É parar de chorar quando não se tem motivos. É ser experiente com as facas, com os instrumentos, é saber cortar uma carne sem me perder em metafísica.
Escrito por Cris-Cléo-Val-Mari-Gabi-Edu às 19h06
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A palavra do dia 09 de novembro foi Camiseta
Por Sócrates Santana
- Como é rapaz, camiseta o quê?
- Kamikase.
- Humm.
- Eram japoneses que durante a segunda guerra mundial se lançam contra o alvo.
- Colé, meu irmão. Deixa de conversa.
- É sério. Depois que os aviões perdiam o poder de combate, eles se lançavam contra o inimigo.
- Eu tava precisando de uma "camiseta" deste para acabar com a boca de fumo lá na rua.
- É kamikase.
- Foi isso que eu falei.
- Eles acreditavam que eram ventos divinos.
- O cara mata não sei quantos e ainda diz que é divino. Tê dizendo que é conversa.
- Na verdade, o termo só pode ser utilizado pelos japoneses.
- Como é rapaz, eu não posso usar o "terno" porque. Se é uma "camiseta", porque eu não posso usar? Todo mundo usa, você usa e essa história agora que só japonês pode utilizar. Como é rapaz, tá tirando onda comigo, é, não tem medo de morrer não? Se liga, mane.
- Não é isso. Que negócio de "terno" que nada. O termo só pode ser utilizado pelos japoneses porque numa guerra entre Coréia e Japão, em 16 de agosto de 1281, a armada foi destruída por um tufão, que acabou com a metade dos barcos e dizimou grande parte dos homens.
- Sim e porque eu não posso usar o terno deles?
- Os japoneses atribuíram estes dois acontecimentos milagrosos a "ventos divinos" (kamikaze). Tal fato contribuiu para a crença de que o Japão era uma terra protegida pelo divino (shinkoku). Por isso, o termo só cabe aos japoneses.
- Como o terno não cabe em mim se nem provei?
- Eu desisto.
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Por Gabriela Ramos Rosa
Desbotada, puída, rasgada. Mofada e jogada dentro da gaveta feito um trapo.
Mas que não, nunca vai virar pano de chão ou vai pro lixo ou ser doação na igreja.
Esta camiseta não.
Ela te envolveu o corpo por tempo demais. Tem ainda teu suor em cada fibra amolecida.
Tem lágrimas minhas, bem ali, na altura do ombro.
Tem a mancha inconfundível do respingo de cândida, descuido meu.
Um furo de traça, que estas malditas estão em todos os lugares.
E os anos do que achamos que seria pra sempre.
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Por Cristina Ancona Lopez
Eu tinha uma verde musgo de que nunca me esqueci porque me sentia bonita com ela. Era gostosa, combinava com a cor da minha pele e cabelos que naquela época eram mais claros, não sei porque a vida escurece os cabelos.
A tua era gostosa. Usei uma branca em um dia, uma listrada no outro. Você disse: pega aquela que você quiser e eu disse: quero uma bem grandona!
Camiseta é coisa gostosa de usar, eu tenho uma gaveta cheia, algumas uso de dia, outras são para usar de noite, tenho as que uso para trabalhar, as que uso para passear, as que uso para ficar em casa. Tento não misturar mas vivo misturando tudo e quando vou sair aquela que era para sair já ficou gasta de tanto usar em casa.
A listrada era grande como eu queria, ia quase até os joelhos
Eu abro a gaveta e vejo tantas cores... Às vezes não sei qual escolher porque cada ocasião pede uma e a gente sempre precisa daquela que não tem.
Você gostou de me ver com a listrada e me abraçou aquele abraço forte que me fazia pequena.
Hoje eu precisava de uma mais larguinha, não achei, acabei colocando um vestido. Tenho de comprar uma de cor forte para a passagem do ano. Não quero branca. Quero um ano cheio de cor, quero começar colorida.
Passei o dia com a tua. As minhas nem usei...
Arrumando a mala para meu fim de semana solitário, não sei qual colocar. Deveria colocar uma que usei na praia no ano passado mas não tenho vontade, coloco uma nova mas tiro da mala, vou deixar para outra ocasião. Abro a gaveta e não acho a cor que quero.
Coloco qualquer uma, ninguém vai ver.
Só me lembro da tua, só me lembro da tua, queria a tua.
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Por Mari de Almeida
Na camiseta que usei na micareta,
tinha uma frase que não me lembro.
Mas a memória guardou aquele cheiro
de teu corpo suado grudado no meu,
no amasso apressado, atrás do trio elétrico,
que só não vai quem já morreu.
Na micareta, de camiseta,
foi pra você que tudo em mim aconteceu.
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Escrito por Cris-Cléo-Val-Mari-Gabi-Edu às 20h07
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A palavra do dia 08 de novembro foi Intervalo
Por Gabriela Ramos Rosa
- Teodoro toma, guarda meus silêncios.
(Teodoro pensa, entre irritado e aflito, o que será que Ana quer dizer com aquilo...o ar pesa).
- Que há, Ana?
(Ana suspira, entre enfado e desafio, acostumada com a racionalidade prática dele, dos homens em geral, querendo resolver tudo rapidamente).
- Você guarda, Teo?
(Teodoro relaxa...ah, o código dela de que 'não é tão grave' assim: 'Teo'. Ela só precisa ouvir que sim).
- Claro Ana, sempre.
.... (intervalo de tempo, onde Teodoro olha Ana com cara de homem que gosta da natureza confusa e hormonal das mulheres. Enlevo e condescendência misturados à ternura).
- Preciso dormir agora, você fica?
(Doce na voz de Ana, satisfeita por sentir Teo desarmado e seu, sem querer entender ou resolver seu 'problema' - que nem ela mesma sabe qual é, se de fato existe...)
- Estou aqui Ana, dorme.
(Teo estende a mão e toca os cabelos longos daquela mulher linda que só precisa ouvir sins, vez ou outra, quase sempre. Uns medos que ele nunca entendeu mas sempre vence, por ela. Amor).
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Por Cristina Ancona Lopez
Intervalo de ópera, de concerto, de teatro. Antigamente até cinema tinha intervalo.
Momento de correr para um café sempre cheio de filas, um copo rápido do pró-seco na Sala São Paulo ou correr para o banheiro, gente para todo o lado.
Intervalo de programa na televisão às vezes propagandas demais, hora de correr para buscar a pipoca, a coca cola.
Beijos no intervalo, casal abraçado no sofá, assistindo filme no frio.
Intervalo entre filhos.
Intervalo de tempo, entre um acontecimento e outro, entre um pensamento e outro, entre um trabalho e outro.
Intervalo na reunião que se arrasta, intervalo de férias, intervalo de ócio nem sempre criativo.
Intervalo entre amores ou entre o mesmo amor.
É possível também ser o próprio intervalo, aquele que preenche um, que vem e vai como se nem tivesse sido. Eu já fui um.
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Por Sylvia Loeb
Coexistíamos na respiração um do outro,
Aderidos, encravados nas peles sem intervalo,
No tempo parado do ar rarefeito.
Morreríamos sufocados
Nos túmulos de nossos corpos?
- ou abriríamos uma frincha, fenda, abismo
para sobreviver?
Preferimos a morte.
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Por Sócrates Santana
Quarenta e cinco minutos. Os jogadores vão para os vestiários. O país por uma fração de segundos não é governado, enquanto a faixa presidencial transita entre o ex e o novo chefe do poder executivo. Por duas curvas Felipe Massa foi campeão e vice. Perdi o pôr-do-sol por meia hora. O sinal estava verde, mas bastou um carro passar para ficar amarelo e o radar detectar a infração. Os jogadores retornam. O juiz reinicia a partida. Não cheguei em tempo para assistir o último capitulo da novela. E a pauta caiu por causa do engarrafamento. Até as vinte e trinta a matéria era exclusiva. Um minuto se passou e o ministério estava formado. Noventa minutos do segundo tempo, o título era certo. Um acréscimo de um minuto mudou tudo. Um novo presidente, um novo campeão. Enquanto isso, o rei da Inglaterra morre e o povo grita, viva ao rei.
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Mari de Almeida
Não me peça nada, não pergunte nada.
Quero apenas curtir este espaço que cavei.
Dei uma de profeta e dividi o tempo ao meio -
entre o antes e o depois.
Vou descansar as pernas largando-as ao vento
E pensar num nada tamanho,
que me perco nesse tanto de vazio.
Não me fale nada, não exija nada.
Sonho apenas em respirar fundo e não olhar para frente
Dei uma de atleta para correr de meu passado e futuro
Entre o que fui e o que sei que um dia serei
Quero descansar as mãos soltando-as ao largo
E repousar desejos num buraco infinito
que me leva a dimensões que desconheço.
Não entenda nada, não questione tudo.
Espere o próximo ato.
Agora, estou no meu intervalo.
Escrito por Cris-Cléo-Val-Mari-Gabi-Edu às 11h56
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